Este tema pode dar o que falar, contudo, creio este ser o objetivo, pois em muitos momentos nós professores nos resumimos ao silêncio para não entrar em atrito com ninguém em nosso ambiente escolar e assim as coisas caminham não como eles tem de ser, mas sim como querem que seja.
Refletindo e pesquisando para escrever hoje aqui, encontrei muitas matérias sobre a relação da empatia entre professor e aluno. Cá entre nós, não quero entrar nesse mérito, mas creio que ao se formar um pedagogo e escolher o caminho da sala de aula, o mínimo que o professor deve ter é empatia com seu aluno, caso contrário seu trabalho se torna um peso repleto de ausência de sucesso e de perspectiva fadado ao fracasso.
Meu objetivo na construção deste texto não é esse, mas sim a empatia no ambiente escolar num todo, principalmente em relação entre todos os profissionais da escola, principalmente entre a gestão.
O primeiro passo é a definição em si do termo empatia:
" Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. "
A partir dessa definição, noto que pouco encontramos empatia no ambiente escolar! Não quis dizer que ela não existe, mas que é escassa isso é.
Em todas as escolas que trabalhei e com muitos outros colegas que tenho na área, existe as famosas panelinhas ( que são grupos fechados os quais apenas selecionados participam e poucos que de fora entram), no caso da escola pública encontramos os grupos dos mais velhos, grupo dos eventuais , grupos dos puxa saco, grupo dos recém chegados, grupos dos contratados, grupos dos que se sentem os melhores, grupos dos excluídos pelos outros grupos e por ai vai. E não me venha dizer que eles não existem pois existem sim uns com mais força que os outros.
Nesse tipo de analise, encontra-se na escola a falta de empatia entre os profissionais,pois com esse tipo de relação ( quase sempre desgastante) os outros "mortais" da escola sentem-se no direito ao pleno silêncio para não entrar em conflito com o colega, ou por ver que a gestão tem seu grupo prioritário ( e não necessariamente presente) e sua voz nunca será ouvida, ou por julgar ( e não os culpo por isso) que não adianta nada participar ou ter voz ativa os quais muitas vezes acabam por receberem rótulos e até a serem ignorados (claro não diretamente).
Eu no caso devo ser conhecida na escola como a reclamona, ou a bocuda pois não aceito o comodismo do silêncio, ainda mais pela escola ter a obrigação de ser um espaço democrático. Certamente, se algum colega meu de trabalho ler minhas postagens neste blog, não irá encara-las como desabafo ou discussão, mas sim em "tinha que ser ela!", ou até: "não basta bater boca na escola, precisa ainda divulgar!".
Todos nós temos os mesmo tipo de trabalho em sala de aula, os quais as dificuldades do mesmo se diferenciam apenas pelos sobrenomes dos alunos, digamos assim, mais saidinhos, pois a cobrança e a responsabilidade se encontram no mesmo estágio de execução, formação e ate de cobrança.
Infelizmente a falta de empatia aparece mais uma vez. Diga-me aqui, quem nunca ouviu ou disse: " ah mas essa sala era da fulana, o que ela fez no ano passado? Nada!", ou até ah quero essa sala pois são bem disciplinados, não quero ter dor de cabeça no ano que vem!" ( mas deixa sua sala deste ano da pá virada por assim dizer).
Eu mesma já fiz isso e me policio muito a não chegar neste ponto.
Dentre esses fatos da ausência de empatia no ambiente escolar me incomoda a relação da gestão entre os funcionários num todo. Decisões já tomadas sem antes discuti-las com a breve justificativa de que estão nos ajudando se afastando da gestão democrática. Cobranças por comportamentos os quais eles mesmos não apresentam, ignorar a vivência em sala de aula que tiveram e a julgar o professor por isso ( por muitas vezes justificando que nunca passou por tal situação) ou simplesmente te ignorar ou fazer uma careta.
Quantas vezes nessa minha vida pedagógica fui ignorada ao levar um aluno que se comportou mau a direção e ficar no vácuo? Incontáveis vezes! E quase surtar quando em reuniões você ter de ouvir: disciplina se resolve na direção. Ahhhhhh quero morrer com isso!
Eu não sou santa, tenho muito a me corrigir e a me construir como pessoa e como professora todos os dias, mas se faz extremamente necessário que o grupo escolar passe a trabalhar a empatia em prol de uma saúde mental a seu corpo docente e funcionários no geral.
Já presenciei atitudes discriminatórias aos demais funcionários da escola ( tios da limpeza, inspetores, cuidadores etc) exigindo de maneira grotesca respeito e suas vontades realizadas. Como dizem né e se encaixa perfeitamente nessa minha colocação: quando o poder sobe na cabeça é que vemos verdadeiramente como se é o sujeito. O que na minha humilde opinião se resume a um simples processo trabalhista de assédio moral. Mas infelizmente no mercado de trabalho isso é perigosíssimo, ainda mais depois da reforma trabalhista.
Como mudar ou melhorar isso tudo? Fácil ! Com muito diálogo entre todos na escola, com um olhar mais aberto ao outro seja ele quem for. Que dá mesma maneira em que nos exigem empatia ao aluno que seja recíproco entre professores e gestão. Pois respeito é bom e todo mundo gosta sem contar que tudo o que for imposto e sem reflexão de sua devida imposição esta sujeito a seu efeito contrário, seja ele em qualquer sociedade/ambiente.
Vou parar por aqui para não fugir do assunto! Este texto já esta longo demais e tem condições de ser continuado em outros tópicos mais tarde.
Sua presença é muito importante para a continuação deste blog, não quero aqui ficar falando sozinha, preciso saber se não estou ficando maluca kkkk que eu sou a prô rebelde e doida da escola querendo um mundo que não existe.
Termino aqui com uma importante frase do educador Paulo Freire a trabalharmos mais na escola e que se encaixa perfeitamente no tema discutido hoje.
Vamos realmente nos importar com a educação e a escola como um todo, pois se fosse pelo salário e valorização não teríamos professores neste país. Superar a falta de diálogo e transigência que se aloca no Brasil de hoje com muita sabedoria e inteligência.
Em busca constante da superação do luto pedagógico de cada dia.
Beijos de luz e força na peruca!
Prô Dani


